VÍDEO: Dono de loteadora é preso em aeroporto de Uberlândia por suspeita de corrupção em obra do Anel Viário Sul
Dono de loteadora é preso durante investigação sobre obra em Uberlândia O empresário Reynaldo Galves Leal, proprietário de empresas do Grupo GSP, foi preso no f...
Dono de loteadora é preso durante investigação sobre obra em Uberlândia
O empresário Reynaldo Galves Leal, proprietário de empresas do Grupo GSP, foi preso no fim da tarde de quinta-feira (5), no Aeroporto de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Segundo apuração da TV Integração, ele aguardava um voo para São Paulo, de onde seguiria para Florianópolis.
A prisão foi realizada pela Polícia Militar (PM), em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pelo Poder Judiciário. O empresário é investigado por suspeita de corrupção ativa e passiva, associação criminosa, lavagem de capitais, falsidade ideológica e obstrução das investigações do Ministério Público (MP).
Segundo as investigações do MP, o Grupo GSP pagou vantagens indevidas a servidores públicos para substituir a obrigação de construir um trevo no Anel Viário Sul, exigida para a aprovação de seus loteamentos, por uma obra de menor custo.
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Reynaldo é sócio-administrador de empresas ligadas ao grupo, entre elas a GSP Loteadora, a GSP Empreendimentos Imobiliários e a GSP Life Botânico, responsáveis por empreendimentos imobiliários na cidade.
Em nota, a defesa de Reynaldo informou que “análise criteriosa, serena e desprovida de conclusões precipitadas permitirá o devido esclarecimento dos acontecimentos, sempre com respeito à verdade dos fatos e às garantias fundamentais”.
Além do cumprimento do mandado de prisão, o Ministério Público informou que apresentou, nesta sexta-feira (6), uma denúncia criminal e ajuizou uma ação civil por improbidade administrativa contra Reynaldo, um funcionário do Grupo GSP e uma servidora do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) que ocupava cargo de chefia na época dos fatos.
Segundo o órgão, as penas mínimas previstas para os crimes atribuídos aos denunciados, somadas, ultrapassam dez anos de reclusão.
O Ministério Público também investiga a possível participação de servidores públicos na obstrução das apurações. Segundo o órgão, há indícios de que documentos oficiais com informações falsas foram produzidos e de que documentos públicos solicitados pelos investigadores foram ocultados.
Momento da prisã
Reprodução/Redes Sociais
O esquema investigado
O caso veio à tona após moradores da região do bairro São Jorge questionarem as obras de acesso ao Anel Viário Sul. O projeto original previa a construção de um trevo, mas, no local, foi implantado um canteiro central.
Segundo o MP, as provas reunidas demonstram que o Grupo GSP ofereceu vantagens indevidas a servidores públicos para conseguir a substituição da obra. A mudança representou uma economia de milhões de reais para o grupo empresarial.
“Os prejudicados são, sobretudo, os consumidores que adquiriram lotes nos empreendimentos do grupo e os cidadãos que utilizam a rodovia estadual, submetidos a restrições de circulação, deslocamentos adicionais e retornos distantes”, informou o MP, em nota.
Em posicionamento enviado anteriormente, a GSP informou que a obra fazia parte da infraestrutura de adequação dos acessos de dois empreendimentos ao Anel Viário Sul e à Avenida Serra da Bodoquena.
Na ocasião, a empresa afirmou que chegou a existir a possibilidade de construção do trevo, com a participação de outros empreendedores da região, mas que a proposta não avançou após a desistência dos demais investidores.
A loteadora também sustentou que o acesso executado atendia às exigências técnicas do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) e havia sido aprovado pelo órgão em acordo com a Prefeitura de Uberlândia.
Em junho, a Prefeitura informou que havia entrado com uma ação civil contra a loteadora para exigir a construção do trevo, conforme previsto no projeto de loteamento aprovado.
Durante as discussões judiciais, porém, a empresa apresentou uma proposta alternativa, que previa uma intervenção diferente da originalmente estabelecida. O novo projeto foi incluído em um acordo judicial entre a loteadora e o município.
Na nota enviada nesta sexta-feira (6), o Ministério Público informou ainda que continua atuando nas ações judiciais para exigir a construção do trevo originalmente previsto como condição para a aprovação dos loteamentos.
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Justiça suspende acordo
O acordo passou a ser questionado pelo Ministério Público, que entrou com uma ação contra a GSP Life Botânico e a Prefeitura de Uberlândia.
Segundo o MPMG, durante uma audiência realizada em 2023, a empresa afirmou que o novo projeto já havia sido aprovado pelo DER-MG. Para o Ministério Público, porém, a informação não correspondia à realidade.
Na decisão que suspendeu o acordo, a Justiça apontou que a substituição do trevo por uma obra mais simples reduziu em quase 70% os custos da intervenção para a empresa. A mudança também teria ocorrido sem estudo técnico e sem processo administrativo formal na Prefeitura.
Com a decisão, o município ficou impedido de considerar cumprida a obrigação da loteadora. Além disso, a garantia de R$ 202 milhões apresentada pela empresa permaneceu bloqueada até nova decisão judicial.
Ex-coordenadora do DER-MG também foi presa
A investigação teve outro desdobramento em 15 de outubro, quando Patrícia Metz Peixoto, então coordenadora regional do DER-MG em Uberlândia, foi presa preventivamente.
Ela já estava afastada do cargo por determinação judicial. O Ministério Público apura se a ex-servidora autorizou a substituição do trevo por uma intervenção de menor custo e se recebeu vantagens financeiras para viabilizar a mudança em benefício de empresas ligadas ao Grupo GSP.
As investigações continuam para apurar a conduta de agentes públicos da Prefeitura de Uberlândia, incluindo ocupantes de cargos eletivos, servidores concursados e comissionados.
Patrícia Metz Peixoto
TV Integração/Reprodução
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